Guilhermina Guinle, madrasta cruel na TV, curte a filha após ter nove enteados

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Antes de morrer, aos 96 anos, Antoninha pôde olhar de perto a bisneta. A senhora e a bebê eram pontas extremas de uma mesma raiz familiar, amarradas brevemente ao acaso do tempo. Testemunhar os instantes entre a avó materna e a filha, um aceno à impreterível despedida, provocou uma repentina onda emocional em Guilhermina Guinle.

— Esses encontros me fizeram repensar a vida de forma muito interessante. Vi minha avó deitada na cama, com babador e fralda. Do lado dela, uma mesinha com Hipoglós. Eu me dei conta de que estamos num ciclo, vamos voltar para isso tudo — acentua a atriz, de 41 anos, num tom de serenidade.

Guilhermina Guinle ao lado da mãe e da avó Foto: Reprodução Instagram

Filha de Rosa May Sampaio, esta por sua vez nascida do ventre de Antonia, a atriz é mãe há quase três anos. Não apenas como fato biológico, é certo dizer que Minna é parte de Guilhermina. A Ilde de “Êta mundo bom!” — uma madrasta cruel, conectada ao arquétipo negativo que ronda o parentesco — escolheu um apelido de infância, uma abreviação do próprio nome, para batizar a herdeira. O “n” dobrado, ausente na original, foi ideia do pai da menina, o advogado Leonardo Antonelli, de 44. “Achei bonitinho”, aprova.

Fiquei cinco anos com ele (Fábio Jr.), então quis muito (ser mãe) na época. Mas falo que Deus faz tudo direitinho

Guilhermina Guinle

Antes de parir, aos 39 anos, outras tintas do amor pintaram seu retrato de mulher-mãe-leonina. Foram nove enteados até a chegada de Minna, no dia 6 de setembro de 2013, às vésperas da primavera. Os quatro primeiros vieram com Fábio Jr., na década de 90. Cercada por verbos e substantivos tipicamente maternais, coube a ela exercitar texturas e sabores de uma relação mãe e filho: Guilhermina trocou fraldas, deu mamadeira e banho, conversou e amparou todos eles. “Você faz tudo, mas o filho não é seu”, resume. Com o intérprete de “Alma gêmea” e “Caça e caçador”, desejou pela primeira vez estar grávida.

— Fiquei cinco anos com ele, então quis muito na época. Mas falo que Deus faz tudo direitinho (risos). Fábio tinha feito vasectomia, chegamos a conversar sobre reverter, eu queria, mas a vida foi indo — recorda a atriz, destacando não ter se decepcionado quando, anos mais tarde, o cantor engravidou Mari Alexandre: — Frustração zero. Foi uma coisa de momento, de estar brincando de casinha e achar aquilo tudo maravilhoso. Não aconteceu, ok, não aconteceu, mas dou graças a Deus!

Guilhermina Guinle e Minna: mãe e filha
Guilhermina Guinle e Minna: mãe e filha Foto: Fábio Guimarães

Os laços com os enteados são atados e afrouxados ao gosto irresponsável das semanas, meses e anos, capazes de provocar novos arranjos. Há pouco tempo, dividiu uma ponte aérea com Fiuk — a quem chama de Filipe, seu nome de batismo —, e, assim, conseguiu colocar o papo em dia. Algumas horas apenas. Na infância, quando o artista sofria com asma, era ela quem ajudava a conter sua falta de ar. O hiato foi menos agudo com Cleo Pires, com quem costuma dividir selfies e carnavais.

— Gui foi uma pessoa muito importante na minha adolescência. Éramos grandes amigas, e ela era uma ótima “mãe”. Mantemos nossa relação até hoje. E, agora, meu amor se estendeu a Minna, que é uma princesa — elogia a filha de Gloria Pires e Fábio Jr.

Guilhermina Guinle e Cleo Pires
Guilhermina Guinle e Cleo Pires Foto: Reprodução Instagram

Ao lado de José Wilker, morto em abril de 2014, os instintos maternais voltaram a aflorar. O tempo, contudo, exigia espera. Embora não pensasse em adoção por ansiar gerar o próprio filho, Guilhermina explica que esse processo, entre o querer e o aceitar, foi vivido sem desordem. Não foi complicado se aproximar de Mariana e Isabel, filhas do veterano. Com a primeira, mais velha, selou um pacto de cumplicidade que a fez deixar o apartamento da mãe, a atriz Renée de Vielmond, para morar com o casal.

— Fui tendo uma relação tão maravilhosa com Mariana que ela quis viver com a gente. Nos dávamos tão bem, tinha harmonia naquela casa. Quando Zé se foi, ela me agradeceu: “Que bom que você apareceu na minha vida. Graças a você, pude conviver com meu pai nos últimos anos dele”. Foi mesmo uma coisa incrível — sustenta.

Guilhermina e José Wilker
Guilhermina e José Wilker Foto: Marcos Ramos

Antes da chegada de Minna, Guilhermina se envolveu ainda com Murilo Benício e conheceu Antônio e Pietro, outros de seus ex-enteados. Num desses lances curiosos, o filho postiço virou sobrinho. Explica-se: o caçula é fruto da união do ator com Giovanna Antonelli, irmã de Leonardo, marido de Guilhermina, mãe da pequena Minna. A atriz, ponto preciso dessa costura familiar, descomplica o que parece improvável a outros olhos. É bem resolvida, da cabeça aos pés.

Existem mulheres que entram e afastam amigos, filhos, ex-mulheres. Nunca tive problemas com antigas relações dos meus maridos

Guilhermina Guinle

— Peguei Pietro no colo com 9 meses, e agora ele virou primo da minha filha. Ficou tudo em família. Claro que há momentos difíceis, mas todo mundo se dá superbem, por incrível que pareça — afirma ela, ressaltando o que julga ser uma de suas qualidades: — Sou uma pessoa agregadora na vida dos homens. Existem mulheres que entram e afastam amigos, filhos, ex-mulheres. Nunca tive problemas com antigas relações dos meus maridos. E as crianças que passaram por mim foram maravilhosas. Se você realmente não curte muito, tem algo mal resolvido, isso pode virar uma questão. Não foi meu caso.

Com Leonardo, conheceu o nono e derradeiro enteado e também a maternidade em seu querer bem mais avassalador. Sem enjoos ou desejos esdrúxulos, a atriz teve uma gravidez sossegada, pontuada por muitas viagens, incluindo uma feita a Nova York, com barriga saliente de 36 semanas. Agora, começa a conhecer o chamado “The terrible twos” (os terríveis dois anos), que ela pronuncia num inglês de quem estudou em escola americana, onde pretende matricular a filha. “A fase do se joga no chão, do grito, do ataque”, sintetiza, logo lembrando ser esta também a época das fantasias. “Tivemos sorte porque hoje ela não pediu para usar uma”, comenta sobre a menina apaixonada por “Frozen” e hipnotizada pela Galinha Pintadinha.

Guilhermina curte passeio com Giovanna Antonelli e Pietro
Guilhermina curte passeio com Giovanna Antonelli e Pietro Foto: Reprodução Instagram

Guilhermina Guinle e Minna passeiam por orla de Ipanema
Guilhermina Guinle e Minna passeiam por orla de Ipanema Foto: Fábio Guimarães

Minna é mesmo uma princesa de personalidade. “É um segredo nosso”, cochicha, um tanto desconfiada, no ouvido de Guilhermina. O mistério é justificado: ela não quer revelar os programas favoritos ao lado da mãe. Para a Canal Extra, as duas toparam um passeio por Ipanema, bairro onde moram na Zona Sul. A pequena está bem agasalhada, e o toque lúdico surge na coroa, que de vez em quando coloca na cabeça, e nas duas sereias que carrega. Destemida, atravessa o calçadão da orla com seus pequenos pés, enquanto o imenso mar ao lado espalha ressaca e consome a areia, a mesma que, em períodos de sol, abriga um parquinho no qual costuma brincar.

Uma das coisas que eu mais gostava era vir com ela (minha mãe) para o Arpoador e furar onda

Guilhermina Guinle

Diante da resistência para se descontrair nas fotos, a atriz logo improvisa uma estratégia: “Minna, faz como a mamãe: ‘Tcharannnn’”, abrindo a boca num sorriso farto. A filha copia. O riso, enfim, vem mais fácil. Quando, empolgada para descer de escorrega, solta um “Sai daqui”, é logo repreendida: “Se diz por favor”, ensina uma voz paciente e alerta. São expressões mínimas e inerentes ao ofício. Ao falar sobre a filha é inevitável para a atriz não pensar na mulher que a conduziu pela vida. Isso fica claro na carta endereçada a Minna, na qual a mãe surge como extensão natural de seu sentimento (veja abaixo):

— Minha mãe sempre foi uma pessoa muito esportista, gostava de levar a gente para a praia. Uma das coisas de eu que eu mais gostava era vir com ela para o Arpoador e furar onda. Aquela coisa de criança, sabe? A onda parecia enorme. É uma imagem bem forte. Não sabia que um dia moraria praticamente lá. Quando Minna começar a nadar e puder furar onda, quero repetir essa experiência.

Minna brinca com suas bonecas
Minna brinca com suas bonecas Foto: Fábio Guimarães

De família tradicional, a atriz teve uma trajetória sem dificuldades financeiras. Viajou muito, estudou no exterior, conheceu (quase) tudo o que quis. Por fora, o porte de moça rica pode sugerir um ar de desdém ou soberba. Não é o que aparenta, embora admita ter sido confrontada com opiniões do tipo.

Não sou patricinha nem dondoca. As pessoas confundem com essa coisa da família, do dinheiro, mas o mais importante é a educação

Guilhermina Guinle

— Não sou patricinha nem dondoca. As pessoas confundem com essa coisa da família, do dinheiro, mas o mais importante é a educação. Todos se assustam com gente educada, né? Infelizmente, o mundo está tão mal-educado… “Nossa, Guilhermina, você cumprimentou fulano”, “Você é tão legal, achava que era de outro jeito”. Eu ouço isso e acho estranho. Para mim, é o comportamento normal, cumprimentar, falar, dar oi — frisa, reforçando os ensinamentos que recebeu da mãe: — Ela teve quatro filhos (a atriz foi a segunda a nascer). Imagine, era zero regalias. Usei muitas roupas do meu irmão mais velho (risos). Durante um tempo, eu achava que não conseguiria ser uma educadora como minha mãe foi. Talvez por ter tido filho quase aos 40, ainda me sinto meio avó. Babo por tudo (risos).

Guilhermina com a mãe
Guilhermina com a mãe Foto: Reprodução Instagram

A arquiteta Rosa May, de 65 anos, é direta ao descrever os desejos bordados para a filha e a neta:

— Ela abraçou a maternidade de forma muito natural, sem frescura, como fiz. Eu a criei solta, no campo, tomando banho no rio, sem cuidados demasiados. Quero que elas continuem assim, que sejam simples em todos os sentidos.

Depois da maternidade, o afeto incondicional: no Dia das Mães, essas três gerações de mulheres, trançadas num mesmo fio de existência, estarão juntas num encontro que, se depender da vontade de Guilhermina, irá se repetir futuro carinhoso adentro.

Guilhermina Guinle e Minna: mãe e filha
Guilhermina Guinle e Minna: mãe e filha Foto: Fábio Guimarães

Guilhermina escreve para a filha

“Minna,

Minha filha tão amada, tão querida, tão desejada e tão bem vinda nesta vida…. Que bom que você chegou! Que delicia que foi ter tido uma filha tão sonhada e esperada com tanto amor do seu pai e da sua mãe. Tenho certeza que vamos caminhar juntas por esta vida com muita alegria.

Quero tentar ser para você um pouco do que minha mãe foi para mim. Uma mãe tão presente, tão forte, tão correta, justa, com valores de vida maravilhosos, rigorosa aonde tinha que ser e carinhosa sempre.

Que delicia que foi ter tido uma filha tão sonhada e esperada com tanto amor do seu pai e da sua mãe

Guilhermina Guinle

Uma mãe que me ensinou a ser livre, independente, caminhar com minhas próprias pernas, correr atrás dos meus sonhos e da minha profissão… Uma mãe corajosa que me ensinou a ser também muito corajosa.

Uma mãe guerreira que me ensinou a arte de guerrear e ultrapassar grandes obstáculos que poderiam aparecer no meio do caminho. Uma mãe forte que me ensinou a continuar por esta estrada da vida. Uma mãe brava que nos ensinou e nos deu todos os limites necessários que precisamos ter.

Uma mãe amorosa que sempre quis estar perto dos filhos e luta por isso até hoje. Uma mãe que manteve nossa união familiar e nos ensinou a amar e respeitar os irmãos e suas diferenças. Uma mãe respeitosa que nos educa, nos cuida e nos ama sempre, mesmo que na distância.

Uma mãe que soube sempre pensar no que seria melhor para os filhos mesmo sentindo saudades quando cada um partia mundo a fora. Uma mãe que soube nos educar ao pé da letra da palavra ‘educação’, tendo filhos gentis e educados.

Uma mãe que nos educou com tudo que acreditou ser do bom e do melhor na música, na dança, na arte e na cultura. Uma mãe que os ensinou a gostar de esporte, de cuidar da saúde.

O que mais quero nessa vida é te dar AMOR! Muito amor para você crescer uma menina linda, educada, forte, inteligente e preparada para a vida

Guilhermina Guinle

Uma mãe que nos ensinou a cultivar amigos de verdade. Uma mãe que nos ensinou a apreciar as coisas mais simples da natureza, como olhar uma lua no céu e um belo pôr do sol. Uma mãe que nos ensinou a simplicidade da vida.

E, além de tudo, uma mãe linda….. A mais linda de todas!

Quero, minha filha linda, tentar te ensinar tudo isso e mais… Tentar ser até melhor, se é que isso é possível.

O que mais quero nessa vida é te dar AMOR!

Muito amor para você crescer uma menina linda, educada, forte, inteligente e preparada para a vida! Quero poder estar presente em todos os momentos mais importantes da sua vida!Quero te dar o carinho e o aconchego de uma família amável junto com seu papai Leo e seu irmão Gabriel.

Quero ser, além de sua mãe, sua eterna amiga!

Te amo muito,

Mamãe Guilhermina”

Minna com suas bonecas
Minna com suas bonecas Foto: Reprodução Instagram


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