‘Liberdade’ chega ao fim, e Andreia Horta afirma: ‘Saio maior desse trabalho’

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Racismo, submissão sexual, violência contra a mulher, torturas e assassinatos à queima roupa, beijos e transas entre dois homens… “Liberdade, liberdade” chega ao seu último capítulo nesta quinta-feira, com o mérito de ter quebrado tabus na teledramaturgia brasileira, ao abordar assuntos antes tratados na TV de forma amena. Como toda novidade, no entanto, as da novela das 11 suscitaram elogios e críticas.

— O público é muito inteligente e, com boas histórias e personagens humanos e verdadeiros, podemos explorar qualquer assunto. Estou muito feliz com a receptividade da novela como um todo — afirma o autor, Mário Teixeira.

As cenas de nudez do elenco geraram burburinho, mas o auge da repercussão aconteceu mesmo com a consumação da paixão entre André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira).

— Já tinha feito muitas cenas de amor, e é assim que eu vejo essa entre eles. Foi o ápice de uma relação contida, proibida e repleta de sentimentos. Todo mundo tem sua opinião e devemos respeitar. Acima de tudo, as pessoas gostaram dos personagens e manifestaram esse carinho na rua. Tocar o público e fazer com que ele reaja, partilhe, comunique, viva o nosso trabalho é tudo o que o artista ama — argumenta Ricardo Pereira.

André e Tolentino: paixão consumada Foto: Reprodução TV Globo

O diretor Vinícius Coimbra conta que este foi, sim, seu trabalho mais ousado, em diversos aspectos:

— Da luta contra as intolerâncias, da violência, da exposição de um Brasil corrupto em sua gênese como nação livre… Desde o começo, acreditava na novela, que fala sobre o país num momento crucial da nossa história, ontem e hoje.

E se os vilões são os grandes ladrões de cena, o que dizer de Mateus Solano? Na pele do sádico e soturno Rubião, o ator apagou qualquer vestígio do afetado Félix, de “Amor à vida” (2013). Nem amor sobrou.

— Como ator, tento sempre mostrar alguma humanidade do personagem. Mas nesse final eu não consegui mais defender Rubião: ele passaria por cima de tudo, de todos, e até de si próprio. Fiquei com asco, pela primeira vez. E olha que matei um monte (risos). Achei que ele poderia se redimir ao descobrir que Rosa era Joaquina: “Amo essa mulher, será que isso não é mais forte?”. Mas percebi que ele realmente é muito malvado! — comenta Solano.

Dionísia explorava o escravo Saviano sexualmente
Dionísia explorava o escravo Saviano sexualmente Foto: Reprodução/TV Globo

Andreia Horta, intérprete da heroína que tanto sofreu nas mãos do crápula, reforça que no dia a dia de gravações só houve prazer e alegria:

— Saio desse trabalho maior, melhor, depois de ter dado vida, sangue e lágrimas a essa personagem. Eu e toda a equipe fomos felizes todos os dias.

A trama em números

2.500 peças de roupas foram feitas para a novela, entre batas, vestidos, coletes, camisas e calças de época

50 mosquetões, 30 garruchas e 30 perucas

15 litros de glicerina para simular o suor dos atores

300 bastões de maquiagem para dar o aspecto sujo

1.000 moldes de cicatrizes para fazer marcas na pele

5 litros de acetona e nenhum esmalte

300 litros de suco de uva (simulando vinho)

80 pães artesanais rústicos

10 carruagens

10 aparelhos de jantar e chá

1.800 velas de pavio duplo

10.000m² de cidade cenográfica

Bruno Ferrari e Nathalia Dill deram conta do recado
Bruno Ferrari e Nathalia Dill deram conta do recado Foto: Felipe Monteiro/Gshow

ALTOS

* A novela arrancou lágrimas do telespectador com cenas como a da libertação dos escravos de Rosa/Joaquina e o triste fim de André, na forca.

* Nathalia Dill deu show do início ao fim, imprimindo tons cômicos à vilã Branca. Bruno Ferrari também fez uma volta triunfal à Globo, com um herói nada chato.

* Marco Ricca mostrou mais um bom trabalho como Mão de Luva. Esteve excelente!

* Mateus Solano brilhou com seu vilão e apagou vestígios do Félix de “Amor à vida”.

* Foi bom ver Lilia Cabral desmontada, longe de suas personagens requintadas.

* O autor foi corajoso em mostrar uma cena de amor entre dois homens. Sem ser apelativa, a sequência foi fundamental para mostrar o drama vivido por André.

A morte de Branca poderia ter sido mais trágica
A morte de Branca poderia ter sido mais trágica Foto: Felipe Monteiro/Gshow

BAIXOS

* Raposo (Dalton Vigh) ficou muitos capítulos sumido e, logo que reapareceu, foi assassinado. O público ficou com a sensação de que perdera alguma coisa.

* A entrada de Gabriel Braga Nunes no folhetim pareceu desnecessária.

* A história do cego Ventura (Vitor Thiré) e a trama de Terenciano (Jackson Antunes) deveriam ter sido melhor trabalhadas.

* A cena da morte de Branca poderia ter sido mais trágica. O final da badalada vilã foi muito rápido aos olhos do público.

* O bumbum de fora de Dionísia gerou elogios à boa forma de Maitê Proença, mas o público se decepcionou ao descobrir que se tratava de uma dublê.

* Terenciano foi emparedado por Dionísia e, quando Gaspar (Rõmulo Estrela) achou seu corpo, o defunto não tinha nem vestígio de barro na roupa.


Sobre ‘Liberdade’ chega ao fim, e Andreia Horta afirma: ‘Saio maior desse trabalho’

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