Na reta final de ‘Êta mundo bom!’, Elizabeth Savala diz que lida bem com o tempo: ‘A velhice é maravilhosa’

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Após uma repentina internação causada por uma má digestão — “Não foi nem um susto; só um problema sem agravantes”, ela diz, sem se estender —, Elizabeth Savala segue, em ritmo firme e forte, a rotina intensa das últimas gravações de “Êta mundo bom!”. Depois que a novela terminar, nesta sexta-feira, o trabalho não cessa: a atriz está em turnê pelo Nordeste com a peça “Amadas — Associação de Mulheres que Acordam Despencadas”.

A que você credita o sucesso de “Êta mundo bom!”?

As pessoas gostam de novelas que tratam do singelo. No fundo, todos gostariam que o mundo fosse feito de Candinhos (Sergio Guizé) e Filós (Débora Nascimento). Há vilanias na trama, mas nada que chegue ao público, como o medo de uma bala perdida.

Ao lado de Camila Queiroz, a Mafalda, e Klebber Toledo, o Romeu, numa das cenas do folhetim Foto: Camila Camacho/ TV Globo / Camila Camacho/ TV Globo/Divulgação

Como foi a imersão no universo rural do folhetim?

Todo brasileiro tem um pezinho no campo, mesmo os que não viveram isso, como eu. Quando comprei um sítio em Tanguá, no interior do Rio, não havia luz elétrica por lá. Nossa, eu adoraaaava! (risos) Às 19h, eu e meu marido botávamos a “Hora do Brasil” no rádio para esperar a lua nascer. Para mim era um encantamento. A novela resgata essas simplicidades. Às vezes, as pessoas passam a vida inteira trabalhando para ter justamente uma fazenda ou uma casa na praia, e retornarem exatamente a essas coisas mais simples que o ser humano possui, como um nascer do sol. São coisas que não custam nada. É tão barato! Mas a gente corre tanto para conseguir, que no final acaba não vendo.

Consegue traçar um paralelo seu com Cunegundes?

Olha, meus filhos costumam me chamar de “general Savala”! Sou sagitariana e gosto de dar ordem. Quando viajo, meu marido (o arquiteto e produtor cultural Camilo Attila, de 70 anos) fala que fica com saudade de alguém mandando nele (risos). Não sei se é um elogio ou uma sacaneada. Mas tudo bem! (neste momento, a atriz interrompe a entrevista feita nos Estúdios Globo para se despedir da colega Camila Queiroz, a Mafalda: “Tchau, meu amor! Vá com Deus e segue pela sombra!”)

Você é maternal, né?

Adoro cuidar das pessoas. Tenho que me controlar para não perturbar os outros. Tive toxoplasmose com 12 anos. Na época, era uma doença novíssima. Ainda criança, descobri que não poderia ser mãe. Fiquei desesperada. Quando você não pode, aí é que você quer ser mãe! Graças a Deus fui iluminada e pude realizar meus sonhos.

Elenco rural de “Êta mundo bom!”
Elenco rural de “Êta mundo bom!” Foto: Paulo Belote / Rede Globo/Divulgação

Como encara as cenas com exigência física da trama, como cair de cara na lama?

São os dublês que fazem. Quando era mais nova, falava: “Deixa que eu mesma faço!”. Mas como quase já morri afogada duas vezes em cena, prefiro que um profissional faça.

Você gosta de fazer humor?

Sou uma pessoa bem-humorada. Vejo sempre o lado bom . A gente não merece se levar a sério. Somos mutantes: a cada dia, a gente é de um jeito. É melhor então rir de si mesmo. Lamúria atrai lamúria.

Como lida com o tempo, aos 61 anos?

A velhice é maravilhosa. Muitas colegas passaram a vida fazendo malhação e cirurgia plástica. Penso que elas não vão conseguir fazer papéis de avós. Acho melhor trabalhar e estar preparada para isso do que ficar em casa contando casos sobre o passado. Não quero me tornar uma caricatura do que já fui.

Em 1978, Elizabeth Savala foi considerada uma das dez mulheres mais bonitas do Brasil
Em 1978, Elizabeth Savala foi considerada uma das dez mulheres mais bonitas do Brasil Foto: Rede Globo / Arquivo

Em 1978, você foi eleita uma das dez mulheres mais bonitas do país pelo “Fantástico”…

Ah, sei lá, mas isso não é mérito nem demérito. É apenas uma questão de DNA. Nada fiz para merecer nem para não merecer isso. Ajuda ser bonito? Ah, acho que ajuda sim, óbvio! A sociedade é muito cruel com as pessoas feias. Mas mérito são outras coisas. Quando você se apaixona por alguém bonito, você fica por cinco minutos: “Nossa, estou com a Gisele Bündchen!!!”. Meia hora depois: “Ah, estou com a Gisele Bündchen”. Três anos depois: “É, estou com a Gisele Bündchen…”. Aí, se passar um trubufu na rua, você vai olhar e falar: “Nossa, que bunda!”. Você já esqueceu da Gisele Bündchen, sabe? Você pode estar com a pessoa mais linda, mas, se depois de meia hora ela não for interessante, ela só será bonita. Bonitos, um vaso e um sofá também são.

Você é vaidosa?

Sinceramente, gosto mesmo é de um bom chinelo e pronto! Ainda bem que quem inventou o salto alto já morreu. Ele deve ter sido guilhotinado! Maquiagem também estou fora! Acho que rímel é feito de graxa de sapato! Base na minha cara? Deixa a bichinha respirar, coitada! Tenho muita preguiça. No tempo livre, eu gosto mesmo de dormir. Quando não está frio, tasco o ar-condicionado no máximo, pego um edredom e fico na cama. Ai, como é bom! Amo demais isso!


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